A língua inglesa tem um conceito que o português não tem da meia-verdade. Esta palavra descreve algo que não é completamente verdadeiro nem completamente falso.
Ontem encontrei uma dessas, um desses factos incómodos que os portugueses costumam chamar de mentira.
Porém, este facto com duplo significado não foi nada que tenha muita importância.
Foi apenas uma prova de que alguém teve medo de ser julgado e mal-entendido...
...por mim.
Estou ainda a tentar perceber o que inspirou esta falta de confiança, sinto-me culpada de algo sem saber bem de quê.
Olhei para o espelho e a cara que vi assustou-me, tal como devo ter assustado a verdade ao longo deste tempo.
Olhei-me, como se fossem os olhos de outra pessoa e vi uma estrangeira com imenso receio de não ser aceite nesta realidade açoriana, uma estrangeira cansada de viver com incertezas, uma estrangeira cujo astral caiu tão baixo que se encontra agora sob a sua bota.
Ora bem, quem poderia gostar de tal pessoa? Vocês sabem, a rapariga com cara grande que sempre fica calada, que nem consegue sorrir, para quem a vida parece ser uma desgraça em vez de ser uma fonte constante de alegria.
Uma rapariga desanimada.
Que fardo isto!
Se nem eu consigo lidar com a minha vida, como é que uma outra pessoa poderia assumir este papel?
Impensável.
Eu já gastei demasiado tempo a lamentar o que não existe em vez de ser grata pelo que posso ter.
Hoje é o dia da acção de graças, um costume dos nossos primos americanos.
Este texto é um 'obrigado' à pessoa especial quem saberá entender tudo do que falo.
Este texto é um 'obrigado' às pessoas inspiradoras que tive a sorte de encontrar e de conhecer aqui nos Açores.
Este texto é um 'obrigado' a vocês por partilharem a vossa vida comigo.
Quero acreditar que valeu e ainda pode valer a pena.
Por isso vou agora à luta, com caneta na mão e sorriso nos lábios, convencida de que não se pode apagar a única verdade que já fez sentido - o amor.
O resto são apenas pormenores sem significado nenhum.



